
Actualités · 5 de abril de 2026
A fanny: origens e rituais mais malucos
Perder 13 a 0 é uma humilhação. Ter de beijar as nádegas de Fanny é uma tradição! Mergulhe na história deste ícone dos boulodromos e descubra as variantes mais insólitas deste ritual lendário.As origens — quem era realmente Fanny?
A história da Fanny é para a pétanque o que a história de Guilherme Tell é para a Suíça: uma lenda fundadora, parcialmente documentada, abundantemente bordada, e cujo fundo ninguém quer verdadeiramente pôr em questão porque é boa demais.
🏺 A LENDA OFICIAL Fanny de Grenoble — a empregada do café A versão mais divulgada situa a história num café de Grenoble no início do século XX. Uma jovem empregada chamada Fanny teria, por tradição ou por gozo, oferecido a sua bochecha para beijar aos jogadores que perdiam 13-0. A bochecha em questão — e é aqui que as versões divergem — nem sempre era a do rosto. Em certas variantes da lenda, era um quadro representando as nádegas de Fanny que ornamentava a parede do café, e era esse quadro que os perdedores deviam beijar.O que é certo: a prática existia nos cafés e nos boulodromes cobertos da região Ródano-Alpes antes de se espalhar por todo o Sul da França, depois por todo o território ao longo das décadas. Início do século XX Nascimento da tradição nos cafés de Grenoble Prática local ligada à cultura dos cafés-boulodromes cobertos da região. A vergonha pública de perder sem marcar um único ponto é formalizada por um ritual de humilhação suave — e muito fotografada. Anos 1930–1950 Difusão por todo o Sul da França A tradição propaga-se com o desenvolvimento da pétanque como desporto popular. Cada região apropria-se do ritual e acrescenta-lhe as suas variantes locais. O quadro representando Fanny — as nádegas pintadas ou esculpidas — torna-se um objeto imprescindível dos clubes. Anos 1970–1980 A Fanny torna-se um objeto de coleção As representações de Fanny multiplicam-se: quadros, esculturas, placas de madeira recortadas, cerâmicas pintadas... Os antiquários começam a vender estes objetos. Certos clubes encomendam versões personalizadas. A tradição institucionaliza-se. Hoje Património imaterial da pétanque francesa A Fanny é hoje reconhecida como uma tradição cultural maior da pétanque. Os clubes que não têm o seu quadro ou o seu ritual fazem figura de exceção. Variantes regionais fazem o orgulho local. E cada geração de jogadores conhece pelo menos um primeiro Fanny que os marcou para a vida. 🎙️ Paquita sobre a lenda de Fanny "Fiz as minhas pesquisas. Existem pelo menos sete versões diferentes de quem era Fanny. Numa, é uma empregada de Grenoble. Noutra, uma dona de café de Lyon. Numa terceira, uma personagem inventada de raiz por um jogador em 1923 para humilhar o seu cunhado. A verdade é que ninguém sabe realmente. E francamente, é melhor assim. Uma lenda que tem uma origem oficial perde metade da sua magia. Fanny é mais interessante misteriosa." — Paquita, historiadora amadora e acidental
Mitos vs realidade: o que se pensa saber (e que é falso)
Ao longo das décadas, a Fanny acumulou uma camada espessa de crenças falsas, de regras inventadas e de tradições locais erigidas em lei universal. Separemosmos o verdadeiro do falso.
❌ MITO "A Fanny é uma regra oficial FFPJP." "Deve-se obrigatoriamente oferecer um copo." "A Fanny aplica-se também em dupla e em tête-à-tête." "Apanhar uma Fanny desqualifica da continuação do concurso." "Fanny era uma verdadeira empregada cujo apelido se conhece." "É proibido recusar o ritual num clube filiado." ✓ REALIDADE A Fanny é uma tradição cultural — nenhum regulamento FIPJP ou FFPJP a menciona. O copo é um costume local. Certos clubes não o praticam, outros exigem uma ronda inteira. Na tradição clássica, a Fanny diz respeito à tripleta. A sua aplicação em dupla varia conforme os clubes. A Fanny não tem nenhuma consequência desportiva oficial — é unicamente um ritual cultural. A identidade real de Fanny permanece por estabelecer. Os arquivos do café presumido de Grenoble não confirmaram nada. O ritual é uma tradição, não uma obrigação legal. Uma recusa pode, contudo, gerar um frio duradouro com o clube.O que diz a "regra" — e o que ela não diz
📋 A DEFINIÇÃO CONSENSUAL Uma equipa apanha uma Fanny quando perde uma partida sem ter marcado nenhum ponto — ou seja, a pontuação final é 13-0 (ou em certas variantes de jogo, qualquer pontuação X-0 em que a equipa perdedora nunca esteve a vencer). O ritual tradicional dita que os perdedores beijem as nádegas de Fanny — representadas por um quadro, uma escultura ou qualquer objeto que faça as vezes — e ofereçam um copo ou uma ronda à equipa vencedora, aos árbitros ou ao conjunto de jogadores presentes segundo a tradição local. 13-0 a pontuação clássicada Fanny 0 pontos marcados
pela equipa que a apanha ∞ variantes de rituais
recenseadas na França 1 copo mínimo
(segundo os clubes) 🍷 O copo — obrigatório ou não?
Na tradição clássica, a equipa que apanha a Fanny oferece uma ronda geral — ou pelo menos um copo aos vencedores. Nos grandes concursos com muitas partidas simultâneas, esta regra é muitas vezes aliviada (um copo só à equipa adversária) por razões práticas evidentes. Nos clubes, a tradição é mantida com mais rigor. A regra não escrita: aquele que recusar o copo será chamado à ordem por todo o clube na sua próxima Fanny — e forçosamente apanhará uma, mais dia menos dia.
Os rituais mais malucos — volta à França das tradições
A França é um país de 67 milhões de habitantes e de tantas formas diferentes de fazer apanhar uma Fanny. Eis uma seleção das variantes mais criativas, mais humilhantes, e mais inexplicáveis recenseadas através dos clubes.
📍 Sudeste clássico O Quadro de Fanny obrigatório O perdedor beija as nádegas pintadas no quadro pendurado na parede do clube. O beijo deve ser sonoro, visível e assumido. Nenhum beijo de bico de lábios — o secretário do clube verifica. Ronda geral oferecida pelos perdedores. 🟢 Clássico 📍 Região lionesa A canção da vergonha Além do beijo no quadro, os perdedores devem cantar em coro uma cantiga dedicada a Fanny composta pelo clube. As letras mudam de um clube para o outro mas incluem sistematicamente os nomes dos perdedores. A qualidade musical não é exigida — o entusiasmo sim. 🟠 Intenso 📍 Provença interior A procissão pública A equipa perdedora levanta-se, põe-se em fila diante dos outros jogadores do concurso e recita em voz alta: "Apanhámos Fanny. Estamos orgulhosos. Ou não." Depois cada um beija o quadro à vez com o nome anunciado pelo apresentador improvisado. 🟠 Público 📍 Occitânia A selfie com Fanny Versão moderna e documentada: os perdedores fotografam-se a beijar a Fanny. A foto é enviada imediatamente para o grupo de WhatsApp do clube. Fica afixada até à próxima Fanny do clube. Um perdedor tentou suprimir a foto. Foi banido do grupo. 🟠 Digital 📍 Périgord A Fanny em rosé O ritual é simples e temido: os perdedores oferecem uma garrafa de rosé local por jogador na equipa vencedora. Em tripleta, dá seis garrafas. Na grande final de um concurso de 80 pessoas, certas equipas calcularam que uma Fanny podia custar mais caro do que a inscrição. 🔴 Caro 📍 Bretanha (sim, há pétanque na Bretanha) A Fanny em cidra Adaptação local do ritual meridional: o rosé é substituído por cidra bruta. O quadro de Fanny foi substituído por uma escultura em madeira de carvalho representando uma sereia em posição equívoca. Beijá-la na Bretanha é beijar um património cultural híbrido e magnífico. 🟢 Local 📍 Paris — boulodromes cobertos A Fanny versão urbana Em certos clubes parisienses, o quadro tradicional foi substituído por um ecrã que mostra a pontuação 13-0 com os nomes dos perdedores durante 10 minutos. Sem beijo. Sem copo obrigatório. Só a vergonha digital, sóbria e fria. Os parisienses têm o seu próprio estilo de humilhação. 🟢 Moderno 📍 Var — clube não identificado A Fanny de calções O perdedor deve recuperar o quadro de Fanny, levá-lo debaixo do braço até à cantina, pedir as bebidas mantendo-o à vista, e repô-lo no lugar. Uma mão no quadro, uma mão que serve. Ninguém questionou a origem desta regra. Data de 1987 e é assim. 🔴 Lendário 📍 Desconhecido — assinalado no Facebook O discurso de Fanny O capitão da equipa perdedora deve improvisar um discurso de pelo menos 2 minutos explicando por que perderam 13-0, sem nunca empregar as palavras "azar", "terreno", "sol", "vento" ou "não é justo". Duração recorde: 12 minutos. Duração mínima admitida: 58 segundos. 🔴 Criativo 📸As representações físicas de Fanny — quadros, esculturas, placas — são vendidas em muitas lojas especializadas em petanca e em feiras de velharias. Variam do clássico quadro pintado em madeira ao modelo em resina mais recente. Alguns clubes mandam personalizar as suas com o logótipo do clube. A menor Fanny registada mede 8 cm. A maior, num clube do Var, mede 1,20 m e pesa 12 quilos.
O ranking da vergonha — as piores formas de apanhar uma Fanny
Nem todas as Fanny se equivalem. Há a Fanny comum — triste mas digna. E há as Fanny lendárias de que ainda se fala dez anos depois. Eis a classificação extraoficial das circunstâncias mais agravantes.
🏅 A Fanny na final do torneio Perder 13-0 na final, diante de 80 jogadores que esperavam para ir beber. A vergonha é proporcional ao número de testemunhas. Nível de recuperação psicológica estimado: 3 a 6 meses. VERGONHA MÁXIMA 🥈 A Fanny contra principiantes Você joga há 15 anos. Eles há 3 semanas. O resultado final: 13-0 para eles. Alguns jogadores venderam as suas bolas depois disso. Outros simplesmente mudaram de clube. ARRASANTE 🥉 A Fanny contra a sua própria família O tio Roger e os filhos fizeram 13-0. O seu pai está na equipa que apanhou Fanny. A refeição de Natal seguinte foi difícil. O tio Roger retomou o tema no aperitivo. DURADOURO 4 A Fanny fotografada e partilhada O beijo no quadro foi imortalizado. A foto está no grupo WhatsApp desde 2019. Ela volta a cada aniversário da data. Foi impressa e afixada no clube. ETERNO 5 A Fanny no dia do seu primeiro torneio Inscreveu-se com entusiasmo. Perdeu 13-0 no seu primeiro jogo. Teve de beijar Fanny antes mesmo de perceber o que era Fanny. Bem-vindo ao desporto. FORMADOR 6 A dupla Fanny (duas vezes no mesmo torneio) Estatisticamente quase impossível. Humanamente traumatizante. Um jogador de Toulouse viveu-a em 2018. Ele ainda joga. É respeitado por isso. LENDÁRIOPode-se evitar a Fanny?
A questão que todo o jogador se coloca em silêncio no fundo de si mesmo. A resposta curta: sim, tecnicamente. A resposta longa: se jogar tempo suficiente, não.
🧠 A ESTRATÉGIA DO APONTADOR SACRIFICIAL "Em alguns clubes, existe uma teoria segundo a qual se pode 'comprar um ponto' sacrificando deliberadamente uma mão desesperada para marcar pelo menos 1. Mesmo 1 ponto basta. Isso não muda nada na derrota — 13-1 continua a ser humilhante — mas evita a Fanny. Esta estratégia é contestada do ponto de vista ético, mas universalmente compreendida por todos os jogadores que a viram praticar." 😤 A VERDADE ESTATÍSTICA "Todo o jogador regular apanhará uma Fanny na vida. A questão não é se, mas quando. Os números são implacáveis: se jogar 50 partidas por ano há 10 anos, a probabilidade de ter evitado 500 vezes um 13-0 é próxima de zero. A Fanny não é uma maldição — é apenas estatística com um quadro nas nádegas e uma ronda." 🎭 A ABORDAGEM FILOSÓFICA "Os maiores jogadores dizem que se deve beijar Fanny com elegância — até com orgulho. Porque apanhar uma Fanny é ter jogado. É ter participado. E é ter tido o azar ou o adversário suficientemente bom para nunca o deixar marcar. Há qualquer coisa de quase poético nisso. Bem, é o que nos dizemos depois do terceiro copo." 🍑 O conselho da Paquita para sobreviver à sua FannyQuando isso acontecer — e vai acontecer — seja o jogador que o assume com humor. Beije o quadro com entusiasmo, ofereça o copo de boa vontade, conte a anedota você mesmo antes que os outros o façam. Um jogador que ri da sua Fanny antes dos outros é um jogador que se respeita. Um jogador que desaparece na casa de banho mesmo no momento do ritual é um jogador de quem nos lembramos por más razões.
📖 O LIVRO DA PAQUITA Para nunca mais apanhar FannyA melhor forma de evitar a Fanny? Progredir. O livro da Paquita reúne 100 exercícios numerados, programas por nível e o método completo para se tornar um atirador temível — e, como bónus, a satisfação de já não ser a equipa a 0.
📦 Encomendar na AmazonFAQ — Perguntas frequentes
A Fanny é obrigatória nas competições oficiais? + Não. Os regulamentos do FIPJP e FFPJP não mencionam a Fanny. É uma tradição cultural, não uma regra desportiva oficial. Nas grandes competições nacionais ou internacionais, o ritual geralmente não é praticado — ou apenas de forma simbólica. É nos clubes locais, nas competições amistosas e nas duplas de bairro que a tradição é melhor mantida. Cada organizador da competição pode decidir se aplica ou não em seu regulamento específico. Podemos levar Fanny individualmente ou apenas como trigêmeo? + Na tradição clássica, Fanny aplica-se a todas as fórmulas de jogo – trio, dupleta e tête-à-tête. Um placar de 13 a 0 no confronto direto às vezes é considerado ainda mais humilhante porque você está sozinho. O dupleto adiciona uma dimensão particular: você compartilhar a vergonha com um parceiro, o que pode unir uma equipe ou gerar tensões duradouras dependendo de como cada pessoa vivencia o acontecimento. O que acontece se o clube não tiver um quadro de Fanny? + A improvisação toma conta — e muitas vezes é aqui que nascem os rituais locais mais criativos. Sem tabuleiro, os clubes têm utilizado uma foto impressa, um desenho no quadro branco, um objeto simbólico colocado no balcão ou simplesmente a régua de vidro sem suporte físico. Há até clubes onde a Fanny é levada beijando a camisa do time adversário dobrada em quatro. A tradição adapta-se aos meios disponíveis. Podemos nos recusar a beijar a pintura de Fanny? + Tecnicamente sim – ninguém pode forçá-lo fisicamente a fazer isso. Socialmente, é outra questão. Na maioria dos clubes, recusar o ritual é visto como falta de fair play e humor que pode durar muito tempo na memória coletiva. Existem alternativas aceitas: uma recusa categórica acompanhada de um passeio geral oferecido de boa vontade é geralmente aceita sem rancor. O importante é o espírito da tradição – humildade diante da derrota – e não o beijo em si. Existe um equivalente da Fanny em outros esportes? + Vários esportes têm tradições semelhantes de humilhação suave para desempenhos desastrosos. No curling canadense, alguns clubes praticam rituais equivalentes. Nos dardos, primeiras tentativas memoráveis são objeto das tradições do clube. Mas a Fanny permanece única em seu tamanho física (o beijo) e visual (o objeto representativo permanente no clube), o que lhe confere uma presença material que nenhuma outra tradição desportiva verdadeiramente reproduziu. É por isso que ela perdura — tem um suporte físico que lhe dá uma realidade concreta no espaço do clube. 📎 Artigos relacionados Regulamento Regulamento FFPJP completo — as verdadeiras regras oficiais Regulamento Regulamento 2026 — o que muda mesmo Competição Calendário oficial dos concursos de petanca PétanqueLand Todas as atualidades petanca Vídeo Vídeos de arbitragem — as situações de jogo explicadas Ferramentas Ferramentas gratuitas PétanqueLand© Petanca por Paquita — petanqueland.fr ·
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Este artigo é uma exploração cultural e humorística da tradição da Fanny. Toda a semelhança com Fanny vividas por jogadores existentes é estatisticamente inevitável.


